quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

O QUE SIGNIFICA RENUNCIAR?

        

           A ordem que o evangelho nos dá de renunciarmos a nós mesmos é tão difícil de entender quanto de praticar. A fim de compreender e praticar melhor essa ordem, escrevi este texto, pois em geral a escrita nos obriga a uma sistematização. Que a graça de Deus venha em meu socorro.
            Dentre tantas partes do evangelho que nos dão essa ordem, gostaria de destacar duas. A primeira diz o seguinte: “Em seguida, convocando a multidão juntamente com seus discípulos, disse-lhes: ‘Se alguém me quer seguir, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me.’” (Marcos 8, 34). Essa renúncia não pode significar a aniquilação completa de nossa individualidade, pois não se trata de uma doutrina panteísta. A Sã Doutrina nos ensina que a união íntima do homem com Deus, na eternidade, não significa a absorção da individualidade humana pela divindade, senão a fruição e o repouso do homem no seu fim último que é Deus. Pois bem, se essa renúncia não pode ser a aniquilação da individualidade, o que pode ser então?
               Tentarei, com a graça de Deus, responder do melhor modo possível.
            Somos chamados a entregar, através de um ato de fé, a Deus toda a nossa vida: nossas faculdades, nossos bens, nosso tempo, nosso trabalho. Não é outra coisa o que ensina o Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, de São Luis Maria Grignion de Montfort. Mas devemos lembrar que essa entrega não anula nossa liberdade, nem nossa consciência. O que significa então a renúncia pedida no evangelho? Segundo o que consegui entender, essa renúncia significa o seguinte: entregar tudo a Deus é estar disposto a viver nossas vidas submetendo-nos à sua lei em todas as questões, para isso deveremos contar com a graça de Deus que secundará nossos esforços em buscar essa lei e segui-la. Deus nos ajudará com sua graça, com as inspirações do Espírito Santo e com o fortalecimento da nossa própria inteligência.
            Vou agora ilustrar minha resposta com exemplos:
                1- A Igreja nos manda abster-se de carne na sexta feira. Mesmo que você goste muito de carne você se abstém, pois sabe que é isso o que Deus te manda. Nesse caso você renunciou ao seu desejo para seguir o que Deus ordena.
              2- A Igreja ensina que Jesus Cristo está presente em Corpo, Sangue, Alma e Divindade na hóstia consagrada. Esse mistério é muito superior à nossa capacidade, mas você crê, porque assim manda a Igreja. Claro que também temos a obrigação de buscar e pedir a Deus que nos ajude a entender cada vez melhor esse mistério, mas mesmo não entendendo completamente já cremos, pois é um dogma e como tal está apoiado na autoridade do próprio Deus. Ao crer nisso renunciamos ao nosso próprio entendimento.
                3- Se tua mãe te manda lavar a louça, você obedecerá, mesmo preferindo não fazê-lo e assim estará renunciando à sua própria vontade, pois estará fazendo isso para obedecer o mandamento divino de honrar pai e mãe.

            A disposição interior de fazer tudo para a glória de Deus e o ato de entregar a Ele a cada momento nossas ocupações também faz parte da renúncia. Que a nossa vontade seja que a vontade de Deus se realize é a essência da renúncia e a forma mais completa de praticá-la. Mas isso exige de nós uma decisão forte, um esforço contínuo, atos concretos de renúncia e muita oração implorando a graça de Deus.
            As verdades da religião podem sobrepujar nossa capacidade racional, mas nunca estarão em desacordo com a razão. Logo, a negação de si mesmo que praticamos para seguir Nosso Senhor, de modo algum nos colocará em dilemas morais, pois é a própria razão que, dando-se conta da nossa fraqueza, nos persuade a entregar-nos a Deus.
            A segunda parte do evangelho que gostaria de destacar é simplesmente a continuação da primeira. Diz o seguinte: “Porque o que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas o que perder a sua vida por amor de mim e do evangelho, salvá-la-á” (Marcos 8, 35).
            Toda a doutrina da Igreja e sua ação têm como fim último a salvação das almas. Seria estranho que uma de nossas obrigações fosse não querer salvar a própria vida. No referido versículo, portanto, é óbvio que a palavra “vida” é usada em dois sentidos diferentes. Para tentar explicitar o sentido desse versículo vou reescrevê-lo de um modo mais longo colocando a interpretação que consegui formular: “Porque o que quiser salvar sua vida mortal, apegando-se aos atrativos passageiros desse mundo e colocando neles sua esperança, perderá a Vida Eterna; mas o que perder sua vida carnal, no sentido de renunciar aos atrativos desse mundo, por amor a Jesus Cristo, salvará sua alma e alcançará a vida eterna.”
            Essa vida mortal e passageira que nos foi confiada não deve estar direcionada ao gozo carnal, mas à penitência, à oração, ao trabalho, ao serviço ao próximo. Existe o desfrute lícito dos bens desse mundo, mas isso não deve nos desviar do nosso fim principal, pelo contrário, deve sempre a este se ordenar. Erramos gravemente, portanto, quando a todo custo nos desviamos do jejum com medo de prejudicar a saúde, quando a sacrificamos consideravelmente mais para satisfazer um prazer; nunca fazemos uma vigília para não estarmos cansados no outro dia, mas perdemos o sono para estar bebendo até tarde com os amigos. Consideramos sempre o que nos é mais agradável, raramente nos sacrificamos nem nos mortificamos. Em suma, acabamos por não morrer a nós mesmos e por um amor desordenado (um amor de si contra si) buscamos salvar a própria vida, e que vida é essa que queremos salvar? A vida mortal. O fato é que, entre essas duas vidas: a mortal e a Eterna, só uma pode ser salva: a Eterna. A mortal perder-se-á por si mesma, pois está sujeita a ação do tempo. Logo, a escolha é: ou você perde as duas tentando inutilmente salvar a mortal; ou você ganha a Vida Eterna, sacrificando conscientemente a vida mortal, contando para isso com a graça de Deus.
            Esse ponto da vida espiritual que aqui estou tratando é contemplado nas principais obras católicas, e sempre é um ponto central. Gostaria de brevemente falar sobre algumas delas para ajudar o leitor a entender ainda melhor essa questão, enquanto ao escrever eu próprio tento por minha vez entendê-la:
            1- FILOTÉIA – SÃO FRANCISCO DE SALES – Essa obra é uma das mais extraordinárias que existem. Os conselhos são muito inspirados, sábios e de fácil entendimento. Animam-nos a praticar os preceitos religiosos, pois tudo ali é tratado de forma simples e amena. Há também várias meditações, orações e considerações que nos ensinam a rezar, a fazer penitência e a meditar.
            No prefácio, São Francisco de Sales escreve: “Nisto consiste, pois, a essência da devoção verdadeira, que suplico à majestade divina de conceder a mim e a todos os membros da Igreja, à qual quero submeter para sempre meus escritos, minhas ações, minhas palavras, minha vontade e meus pensamentos.” Aí está como deve falar um bom católico!
            2- A ALMA DE TODO APOSTOLADO – JEAN BAPTISTE CHAUTARD – Nessa obra, Chautard deixa claro que a alma de todo apostolado é a oração e a meditação, e que seria erro grave achar que qualquer obra possa dar frutos se não tiverem ligadas a uma forte vida espiritual de oração e meditação, pois é por essas duas práticas que nos tornamos íntimos de Deus, que é o único que nos pode conceder as graças necessárias para que nossos esforços apostólicos frutifiquem. Como disse Nosso Senhor: “Sem mim nada podeis fazer”. Chautard diz na décima primeira verdade – primeira parte – “Farei, durante os meus retiros, um sério exame de consciência para saber: se estou convicto da nulidade da minha ação, e da sua força, quando unida à ação de Jesus; se excluo, implacavelmente qualquer vaidade, qualquer autocontemplação, na minha vida de apóstolo; se me mantenho numa desconfiança absoluta de mim mesmo; e se peço a Deus que dê vida às minhas obras e me preserve do orgulho, primeiro e principal obstáculo para receber o seu auxílio.”
            3- IMITAÇÃO DE CRISTO – TOMÁS DE KEMPIS – Outra obra extraordinária que também aborda diversas vezes o tema da renúncia. Listo a seguir alguns dos principais ensinamentos que encontrei nesse clássico:
·         Melhor ser ignorante e virtuoso que instruído e orgulhoso;
·         Desprezar o mundo e suas pompas;
·         Conhecer a si mesmo e desprezar a si mesmo;
·         Ser humilde;
·         A graça do entendimento das coisas divinas vem de Deus e não da inteligência humana;
·         A importância do silêncio e do recolhimento;
·         A vida virtuosa traz sabedoria.
·         Deve-se procurar o aconselhamento de alguém mais sábio.
·         Renunciar à própria vontade.
·         A vida virtuosa traz paz.

No capítulo 8 do livro 3, podemos encontrar este lindo trecho: “Mas se me tiver por vil e me aniquilar, deixando toda a vã estima de mim mesmo, e me reduzir a pó, que sou na verdade, ser-me-á propícia a vossa graça, e a vossa luz há de vir em meu coração, e todo sentimento de amor próprio, por mínimo que seja, perder-se-á no abismo do meu nada e perecerá para sempre... perdi-me, amando-me desordenadamente; mas, buscando a vós unicamente, e amando com puro amor, a mim me achei e a vós também, e este amor me fez ainda mais aprofundar-me em meu nada.”
Podemos também encontrar o seguinte no capítulo 32 do livro 3: “ - Jesus: Filho, não podes gozar perfeita liberdade, enquanto não renunciares  inteiramente a ti mesmo.... deixa tudo e tudo acharás; renuncia à cobiça, e terás sossego. Pondera isso, e, quando o praticares, tudo entenderás.
O capítulo 37 do livro 3, por sua clareza e completa harmonia com o evangelho, merece ser citado na íntegra: “ - Jesus: Filho, deixa-te a ti, e acharás a mim. Despe tua vontade e teu amor próprio, e sempre tirarás lucro. Porque, logo que te entregares a mim sem reservas, se te acrescentará a graça.
 - A alma: Senhor, em que devo renunciar-me e quantas vezes?
 - Jesus: Sempre e a toda hora, tanto no muito como no pouco. Nada excetuo, mas quero te achar despojado de tudo. De outra sorte, como poderás ser meu e eu teu, se não estiveres, exterior e interiormente, desapegado de toda vontade própria? Quanto mais prontamente isso fizeres, tanto melhor te acharás, e quanto mais pleno e sincero for teu sacrifício, tanto mais me agradarás e maior lucro terás.
Alguns há que se entregam a mim, mas com alguma reserva, porque não tem plena confiança em Deus e por isso tratam de prover as próprias necessidades. Outros, a princípio, tudo oferecem, mas depois, combatidos pela tentação, voltam-se novamente às próprias comodidades, e eis porque quase não progridem nas virtudes. Estes nunca chegarão à verdadeira liberdade do coração puro, nem à graça de minha doce familiaridade, enquanto não renunciarem de todo a si mesmos, oferecendo-se em cotidiano sacrifício a Deus, sem o que não há nem pode haver união deliciosa comigo.
Muitas vezes te disse e agora te torno a dizer: deixa-te, renuncia a ti mesmo, e gozarás de grande paz interior. Dá tudo por tudo, não busques, não reclames coisa alguma, persevera, pura e simplesmente, em mim, e me possuirás. Terás livre o coração e as trevas não te poderão oprimir. A isto te aplica, isto pede, isto deseja: ser despojado de todo o amor-próprio, para que possas seguir nu a Jesus desnudado, morrer a ti mesmo e viver eternamente. Então se dissiparão todas as vãs imaginações, penosas perturbações e supérfluos cuidados. Logo, também, desaparecerá o temor demasiado, e morrerá o amor desordenado.”
Por fim cito ainda um trecho do capítulo 56 do livro 3: “Quanto mais saíres de ti mesmo, tanto mais poderá chegar-te a mim. Assim como o não desejar coisa alguma exterior produz paz interior, assim o desprendimento interior de si mesmo causa a união com Deus... Se queres entrar na vida, guarda os mandamentos (Mateus 19, 17). Se queres conhecer a verdade, crê em mim. Se queres ser perfeito vende tudo (Mateus 19, 21). Se queres ser meu discípulo, renuncia a ti mesmo. Se queres possuir a Vida bem aventurada, despreza a presente. Se queres ser exaltado no céu humilha-te na terra. Se queres reinar comigo, carrega comigo a cruz, porque só os servos da cruz acham o caminho da bem aventurança e da luz verdadeira.”
4- EXERCÍCIOS ESPIRITUAIS – SANTO INÁCIO DE LOYOLA – Nesse livro Santo Inácio nos ensina um verdadeiro método para progredir na vida espiritual. Método esse baseado em diversos conselhos, meditações e exercícios espirituais. Logo antes de começar os exercícios da primeira semana, lê-se um pequeno texto intitulado “Princípio e Fundamento”, ali lê-se o seguinte: “O ser humano é criado para louvar, reverenciar e servir a Deus Nosso Senhor e, assim, salvar-se. As outras coisas sobre a face da terra são criadas para o ser humano para o ajudarem a atingir o fim para o qual é criado. Daí se segue que ele deve usar das coisas tanto quanto o ajudam para atingir o seu fim, e deve privar-se delas tanto quanto o impedem. Por isso é necessário fazer-nos indiferentes a todas as coisas criadas, em tudo o que é permitido à nossa livre vontade e não lhe é proibido. De tal maneira que, da nossa parte, não queiramos mais saúde que enfermidade, riqueza que pobreza, honra que desonra, vida longa que vida breve, e assim por diante em tudo o mais, desejando e escolhendo somente aquilo que mais nos conduz ao fim para o qual somos criados.”
5- TRATADO DA VERDADEIRA DEVOÇÃO À SANTÍSSIMA VIRGEM – SÃO LUIS MARIA GRIGNION DE MONTFORT – Quem ainda não tem esse livro, trate de providenciá-lo e colocar em prática o que ali está escrito. Consagrar-se à Nossa Senhora e viver essa consagração é o meio mais fácil, seguro e piedoso de progredir na vida espiritual. São Luis explica com maestria as razões teológicas e os fundamentos doutrinais para entregarmos todos os nossos méritos a Jesus por intermédio das mãos puríssimas de Nossa Senhora.
No capítulo II, artigo 3, São Luis nos ensina: “Para despojar-nos de nós mesmos, é preciso conhecer primeiramente e bem, pela luz do Espírito Santo, nosso fundo de maldade, nossa incapacidade para todo o bem, nossa fraqueza em todas as coisas, nossa inconstância em todo o tempo, nossa indignidade de toda graça e nossa iniqüidade em todo lugar...Em segundo lugar, para despojar-nos de nós mesmos, é preciso que todos os dias morramos para nós, isto é, importa renunciarmos às operações das faculdades da alma e dos sentidos do corpo, precisamos ver como se não víssemos, ouvir como se não ouvíssemos, servir-nos das coisas desse mundo como se não o fizéssemos... Se não morrermos a nós mesmos, e se as mais santas devoções não nos levarem a essa morte necessária e fecunda, não produziremos fruto que valha, nossas devoções serão inúteis, todas as nossas obras de justiça ficarão manchadas por nosso amor próprio e nossa própria vontade, e Deus abominará os maiores sacrifícios e as maiores ações que possamos fazer.”
Como se vê a renúncia de si mesmo é condição sine qua non para a prática da verdadeira religião (catolicismo), a isso no leva tanto o evangelho quanto o coro harmônico dos escritores espirituais. Obviamente também o catecismo nos leva a isso. De fato, não é possível obedecer aos mandamentos sem renunciar a si mesmo, pois o pecado original, ao tornar, de certa forma, nossa natureza em inimiga de Deus, tornou-nos, ao mesmo tempo, avessos ao cumprimento de tudo aquilo que é bom. Logo, para cumprir as exigências de Deus, somos obrigados a essa renúncia, e quando pecamos é simplesmente porque não quisemos renunciar a nós mesmos. Nossa natureza corrompida nos inclina sempre ao mal; quando, por um amor desordenado a nós mesmos, cedemos a ela, caímos no pecado. Além disso, temos outros dois inimigos: o mundo e o demônio, mas certamente a corte celestial que nos socorre é superior a tudo isso.
Todas as quedas narradas pela Bíblia são devidas a essa falta de renúncia: Lúcifer caiu por não renunciar, da mesma forma Adão e Eva; Caim, Judas e todos os demais pecadores da história se ressentem desse mal que é a recusa de renunciar a si mesmo. Por outro lado, todos os justos da história demonstram uma extraordinária disposição para renunciar: Abraão que renuncia a seu próprio filho, Noé que renuncia à sua honra, Nossa Senhora que diz “Sim” a Deus, Nosso Senhor que roga ao Pai que seja feita a vontade dEle.
O significado profundo dessa renúncia e todas as suas conseqüências não posso eu esclarecer por completo. Espero que esse pequeno trabalho possa ter ajudado aqueles que procuram sinceramente fazer a vontade de Deus. Para todos nós que estamos começando agora nossa caminhada espiritual, tenho certeza de que as práticas a seguir muito nos ajudarão:
1- Ler e meditar sobre as cinco obras que citei, sem esquecer o Evangelho. Todas elas tratam do assunto de modo magistral.
2- Fazer penitência: jejum, vigílias, abster-se de carne mais vezes do que manda a Igreja, deixar de comer alguma coisa de que se gosta, sacrificar algum lazer para poder se dedicar à oração e à meditação ou alguma outra obra de piedade. Além de praticar obras de misericórdia. Se ficarmos atentos o Espírito Santo nos inspirará no tipo de penitência e obras que devemos fazer.
3- Ser disciplinado nas orações. Rezar várias vezes por dia, sem esquecer o terço.
4- Resignar-se à vontade de Deus nos contratempos da vida, e entregar todas as vicissitudes a Deus como forma de penitência e reparação por nossos pecados.
5- Consagrar-se a Nossa Senhora pelo método de São Luis Maria Grignion de Montfort.

Esses passos simples serão um bom começo para atingirmos a perfeita renúncia que Deus nos pede. Imploremos a Ele a graça de atingirmos tão sublime estado, pois sem Ele nada podemos fazer. Ave Maria!

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

O QUE EU TERIA ESCRITO NA REDAÇÃO DO ENEM



FEMINISMO: MOVIMENTO SOCIAL OU MOVIMENTO INFERNAL?
            Olho para a realidade e não consigo enxergar o machismo que os movimentos sociais de esquerda dizem existir. O orgulho de ser homem está muito diminuído e as manifestações de verdadeira virilidade (entendida aqui no sentido casto e honroso) são mal vistas; enquanto isso qualquer realização de uma mulher é enaltecida. A Dilma teve a empáfia de alterar o idioma para ser chamada de “presidenta”, tolice que só se tornou possível pela influência que o movimento feminista conseguiu impor aos meios de comunicação de massa. Homens e mulheres gozam de privilégios e arcam com obrigações referentes aos seus papéis na sociedade, não é possível apontar apenas o homem como privilegiado. Alguns dados podem provar isso facilmente: só o homem é submetido a serviço militar obrigatório; trabalha cinco anos a mais para poder se aposentar e vive sete anos a menos; morre vinte vezes mais que mulheres devido a acidentes de trabalho em serviços arriscados. Mas provar a inexistência do machismo não é o objetivo principal desse texto.
            Até agora não vi nenhum grupo feminista que não apóie o aborto como um direito da mulher. Apenas por isso esse movimento já merece todo o nosso repúdio. As razões para defender essa crueldade assassina são as mais disparatadas: “a mulher tem direito ao próprio corpo”; “ninguém pode obrigá-la a ser mãe”; “a mulher tem direito a saúde reprodutiva”; “se fosse o homem que engravidasse o aborto já teria sido legalizado”. Dizem lutar contra a violência que sofrem, promovendo uma violência ainda pior contra um ser humano indefeso que, pasmem, são seus próprios filhos. Não seria exagero meu dizer que o movimento feminista luta pelo direito de matar, e sendo esse o caso posso concluir que um movimento desses não merece nenhum respeito, é simplesmente algo a ser combatido com todas as forças possíveis, pois trata-se obviamente de algo diabólico.
            Parece-me que o movimento feminista anda de braços dados com o movimento pelos “direitos humanos”, pois ao mesmo tempo que exibem toda a indignação contra a violência sexual sofrida peas mulheres em nenhum momento as vi defendendo a pena de morte para esse tipo de criminoso.
            Quando olho para aquelas figuras degradantes que aparecem na “marcha das vadias” com o corpo despido, com aquelas frases diabólicas mescladas com frases de libertinagem e outras de falsa liberdade, consigo enfim chegar à conclusão que o movimento feminista é o movimento mais asqueroso de todos, mais ameaçador, mais brutal. Quem tomou conhecimento do acontecido em Pelotas esses dias sabe a que ponto pode chegar esse movimento maldito: um grupo de mulheres fez um protesto à base do uso de drogas, nudez, masturbação em público, tambores e excrementos. Dizem lutar pela dignidade da mulher, enquanto praticam violência contra si mesmas, exibem-se de modo a humilharem a si mesmas, degradando-se a um ponto que nem a mais psicopata das imaginações conseguiria chegar.
            Querem destruir a moral cristã, A Santa Doutrina de Deus que nos preserva a todos de sermos objetos do demônio, entregando-se de bom grado aos inimigos de suas almas: o demônio, o mundo e a carne. Propagam abertamente a promiscuidade e depois dizem que “mulher não é só bunda e peito”, pisam nos valores mais sagrados para o homem e para a sociedade e depois não querem ser objetos, sem perceber que já o são.
            O movimento feminista é o movimento mais nojento, sórdido, mentiroso e satânico que tive o desprazer de conhecer. Se alguma feminista disser que isso não é verdade, faça o favor de me apontar algum grupo feminista que não defenda a legalização do aborto e oponha-se abertamente à “marcha das vadias”, pois essa marcha maldita, além de todas as atitudes promíscuas e dignas sequer de animais, profanou imagens de Nosso Senhor Jesus Cristo e Nossa Senhora.
            Peço a intercessão de Nossa Senhora para acabar com essa violência que é feita contra as mulheres pelo movimento feminista, pois sem dúvida é a violência mais grave que a mulher tem sofrido ultimamente. O movimento feminista é uma ameaça à humanidade; tenho três mulheres dentro de casa e também por amor a elas tenho a obrigação de lutar contra mais esse movimento infernal.

domingo, 26 de julho de 2015

QUEM É PIOR? OS CRIMINOSOS OU SEUS DEFENSORES?



       A punição simplesmente faz parte da realidade das coisas, não só das coisas humanas, mas, diria, da realidade como um todo. Todos os seres vivos encontram conseqüências para seus atos, nem sempre desejáveis. Ao analisarmos a sociedade humana vemos a punição como um fenômeno estabelecido e universal, e que, portanto, não passa de uma mera obediência à natureza geral das coisas. A natureza é implacável ao infligir punições, pequenos erros ou desvios podem custar muita dor, doenças e até mesmo a morte. Com o ser humano não é diferente: basta exagerar um pouco na cerveja que no outro dia amargarás uma severa dor de cabeça e mal estar. Quando falamos do convívio humano em sociedade a regra não é menos clara: quem é a pessoa que a criança respeita e obedece mais? O pai rígido ou a avó que lhe satisfaz todos os caprichos? Com qual professor o aluno aprende a ter mais responsabilidade: com o rígido ou com aquele que dá inúmeras chances? A punição é uma lei da realidade, tão clara quanto qualquer outra lei da natureza, lei essa que não pode ser alterada pela vontade humana, pois foi decretada pelo próprio Deus, que é soberano e sempre faz com que a justiça seja cumprida. Sendo assim quanto mais se labuta para evitar as punições justas mais terríveis punições se acumulam para o futuro, e certamente elas virão.
A questão da redução da maioridade penal, como tudo no Brasil, tem sido discutida de maneira imprópria. Não se trata aqui de buscar uma solução definitiva para um problema complexo que a sociedade enfrenta, (o que estaria acima de nossas forças), mas de chamar a atenção para a parte espiritual e cultural do problema.
Há os que se limitam em dizer que uma redução da maioridade penal iria criminalizar a pobreza, ou que iria atingir diretamente os negros, supostamente tão excluídos, discriminados e perseguidos pelas forças da lei. Esse é o discurso de uma esquerda que exalta indevidamente as minorias e divide a sociedade em grupos, tudo sob o pretexto de vencer as desigualdades, no entanto traz em seu bojo uma grande carga de preconceito, já que a criminalidade é, principalmente, uma questão moral e não única e propriamente social como querem os opositores da redução; o que dizer de Suzane Von Richthofen, os assassinos do índio Galdino, entre outros que de carências talvez só tivessem a afetiva e a familiar? Justamente este parece ser o cerne de grande parte do problema da sociedade atual, cada vez mais violenta e sem limites: o indivíduo, tão livre e solto de qualquer estrutura religiosa, familiar e cultural se vê sem “eira nem beira” celebrando seu espírito “livre”, e, na realidade, entregue à própria sorte. É um mundo onde impera o descaso com o “Ser” privilegiando o “ter”. De fato, o sujeito sem limites nem diretriz migra de um caminho de liberdade para o abismo total da libertinagem e do descontrole pessoal e é aí principalmente que se encontram os problemas da nossa juventude.
Quando se fala numa boa formação, geralmente se diz que o ser humano é moldado socialmente e que tem o direito de conduzir sua própria vida com liberdade, embora essa liberdade seja entendida de um modo aberrante na maior parte das vezes. Diante disso temos, da parte deles, a seguinte contradição: por um lado eles dizem que a criança se forma através da convivência em sociedade, desse modo é inimputável, pois é a sociedade que lhe incute certos comportamentos impróprios, logo não tem culpa por seus erros, por outro lado são eles mesmos que estimulam na sociedade a derrocada dos valores morais e da religião. É a velha técnica de corromper e depois acusar, exatamente como faz o demônio, que é chamado ao mesmo tempo de tentador e acusador.
Na mesma linha argumentativa, os revolucionários esquerdistas dizem que as crianças e os adolescentes são vítimas da sociedade, pois o sistema capitalista gera famílias desestruturadas, no seios das quais as crianças e adolescentes sofrem violência física e psicológica. Ora, os esquerdistas e revolucionários, muitos deles adeptos da “revolução cultural”, são a favor da ideologia do gênero, que apregoa que o sexo é uma construção social e política e, portanto, que não tem nenhuma relação com a questão fisiológica; defendem ainda o divórcio; a desconstrução do conceito de família tradicional e os valores do cristianismo como um todo. Em suma: lutam para implantar todas as loucuras que, com eficácia assustadora, destroem a família e depois dizem que culpa das famílias desestruturadas é do capitalismo! Trata-se obviamente de mais um sintoma da hipocrisia e da psicopatia do movimento revolucionário.
Outro discurso contraditório é aquele que diz que a redução da maioridade penal seria apenas um pretexto para “criminalizar” a pobreza e superlotar as cadeias. Se a pobreza, como querem os revolucionários, fosse causa necessária para a criminalidade então a maioria da população seria criminosa. Além disso, ao associar a pobreza ao banditismo, como se os pobres não tivessem consciência, razão e livre arbítrio, e ainda fossem incapazes de evitar atos criminosos, divulgam um monstruoso preconceito, e o fazem impunemente, pois conseguiram ao longo do tempo passar a imagem de que são os “destruidores” de preconceitos. Através de várias falácias lograram o extraordinário feito de serem os únicos autorizados a emitir preconceitos e ainda sob o pretexto de lutar contra eles.
Outra contradição é que o menor pode votar e constituir família, mas ao mesmo tempo não pode responder por seus crimes de modo integral. Ademais, a lei da redução da maioridade não prevê crimes relacionados ao tráfico de drogas, uso de entorpecentes etc., o que nos leva a concluir que tais jovens irão continuar sendo laranja dos traficantes, pois continuarão estimulados pela impunidade.
Assim, pode-se entender que sólidos e nobres valores morais e um senso de responsabilidade são mais benéficos para o indivíduo do que uma liberdade desorientada. Não faz sentido a idéia de que apenas o ensino escolar, científico, acadêmico, ou mesmo o suprimento das necessidades materiais e o fim das “desigualdades” irão criar uma sociedade melhor se essa sociedade for carente de uma moral sólida. Se continuarmos na trilha errada em que estamos podemos esperar do futuro apenas sujeitos indolentes, insolentes e acomodados já que nenhuma culpa ou responsabilidade reais lhe recaem em uma moral frouxa que expande cada vez mais seus limites até as raias da loucura, criando o triste espetáculo de jovens e crianças que não apenas usurpam o bem alheio, mas também matam, torturam (física e mentalmente), pois não têm uma diretriz cristã, familiar e muito menos uma punição justa que lhes possa inibir. Cria-se assim um sujeito sem compaixão, sem remorso e sem respeito às leis, pois estas lhe oferecem as mais variadas brechas para, supostamente recuperá-lo, entretanto, a questão é que não basta apenas oferecer segundas, terceiras, quartas chances, mas de se entender que toda ação deve gerar uma reação de igual ou maior intensidade para que assim o indivíduo perceba o peso de seus atos dentro da sociedade em que vive. Deveríamos também deixar de culpar forças cegas pelos atos cometidos livremente por seres humanos, deve-se focar na responsabilidade e ensinar o indivíduo desde cedo que ele é responsável e responderá pelas suas escolhas, caso contrário teremos indivíduos cada vez mais sádicos e prontos a cometerem as maiores atrocidades sem sentirem o mínimo de arrependimento, e o que é mais grave: sem se enxergarem como autores de tais atos, mas como um mero autômato de forças sociais que o transcendem, ou pior, como primeira vítima do próprio ato que cometeu.

OBSERVAÇÃO: Esse artigo foi escrito por três integrantes de um modesto grupo de estudo composto por apenas três integrantes: eu, Thiago Alberto e Marcos Caetano.