sábado, 8 de outubro de 2011

A demência de nossos dias


Estive pensando, nesses dias, como é triste e ao mesmo tempo absurdo ser obrigado a debater e provar certas coisas. Já me vi em muitas discussões tentando provar a existência da dicotomia “bem e mal”, diante de interlocutores sutis que negavam a existência dessa dicotomia; quantas vezes disputei a existência da verdade diante de oponentes intransigentes? E dessa forma despendi longo tempo tentando provar que dois mais dois é quatro, diante de pessoas que não mais são capazes de enxergar o que é evidente.
            Essa tendência da filosofia contemporânea gera os frutos mais pérfidos concebíveis, espalha-se e passa a ser parâmetro mental para julgar coisas de interesse público e que dizem respeito à integridade do homem. Vejam a questão do aborto: as pessoas que ainda possuem o mínimo de bom senso são obrigadas a reunir provas de que um zigoto é uma vida, porque os debatedores e argumentadores do século acham que isso é uma questão a ser debatida, porque eles impuseram que é necessário debater essa questão tão evidente. Não! A existência de vida num zigoto não é algo a ser discutido, dementes! É evidente! Assim como eu não admito que debatam se eu existo, pois desse debate podem concluir que eu não existo e então resolvam me matar! É o que acontece no aborto. O valor da vida humana não pode ser posto em xeque num debate como se faz com uma questão de economia, esse valor é inalienável, intocável e ninguém, por mais ares de intelectual e de bonzinho que se dê, tem o direito de ousar diminuir esse valor através de debates. Pois existem debates que por sua própria natureza são ilegítimos.
            Somos obrigados a apelar para a ciência para resolver um problema que só existe porque foi levantado por dementes, e nós, outros dementes, aceitamos a discussão. Não preciso da ciência para provar que amo minha mãe, para provar que o bem existe, assim como não preciso de seu aval infame para provar que um zigoto com um dia, uma hora, um minuto já é um ser humano, porque eu que vos escrevo já fui um zigoto de um dia, e vós que me leem também. Não preciso de um aval imoral da ciência para provar que minha filha era um ser humano quando tinha uma hora, um segundo no ventre de minha esposa.
            Estamos a ponto de cogitar um plebiscito para descriminalizar ou não o aborto, obviamente os abortistas perderiam feio, no entanto a própria existência do plebiscito não se justifica, pois não se faz plebiscito para algo claramente criminoso.
            Enquanto isso, todo e qualquer juízo moral ou filosófico contra o homossexualismo é combatido "heroicamente". Nesse caso eles defendem que não deve haver debate, deve haver pura e simples aceitação incondicional.
            A energia de alguns heróicos religiosos estão sendo direcionados para esclarecer, provar, demonstrar e sensibilizar para uma questão de bê-a-bá moral. Dois milênios de cristianismo e a Santa Igreja de Jesus Cristo se vê em luta encarniçada contra o paganismo mais abjeto. A maldade no mundo é impressionante, mais impressionante é a demência.
            Quem nos livrará dessa farsa descomunal? Quem nos defenderá de nossa própria ignomínia?
            Alguns setores do movimento comunista, enquanto mentores dessa abjeção, provam o quanto estão fadados ao fracasso! Podem tomar o poder e continuarão sendo um fracasso! Podem desapropriar a sociedade e continuarão sendo um fracasso! Podem concretizar todos seus planos macabros e continuarão sendo um fracasso! Porque a essência do mal é o fracasso, a essência de seus desígnios é a derrota mais flagrante, não pode ser vitorioso aquilo que é por natureza destinado a sucumbir. Façam o que fizerem, não farão o bem tornar-se mal, nem a mentira tornar-se verdade. E como esse movimento não pode ser vitorioso, visa unicamente à derrocada da sociedade, visa destruí-la e tornar derrotados todos os homens, por isso apela tanto para o ódio, discórdia, inveja, desunião, promiscuidade, etc. O sinal mais visível de sua essência decaída é a luta covarde encampada contra a inocência, da qual o nascituro é o maior símbolo. A contraposição dessa torpeza é a cruz de Cristo; o filho triunfante de Deus, que nos mostrou a face do Pai, que trouxe a libertação do pecado. Em sua mansidão e humildade não usou da violência, nem de estratégias, nem de artimanhas; sua arma é a verdade e a santidade. Sua morte na cruz e sua ressurreição é a vitória e a herança do verdadeiro cristão, que zomba dos exércitos ruidosos dos homens cujo prêmio é esta vida. Além do mais, quem com ferro fere, com ferro será ferido: “o inimigo afia sua espada, retesa o arco e aponta, mas é para si que faz armas de morte e fabrica suas flechas flamejantes. Ei-lo gerando a iniqüidade: concebe a maldade e dá à luz à mentira. Ele cava e aprofunda um buraco, mas cai na cova que fez. Sua maldade se volta contra ele, sobre o crânio lhe cai a própria violência.”
            Que os cristãos unam-se à Igreja, boicotem as novelas, façam penitência. Que os soldados de cristo salvem o Brasil da infâmia e do crime. Que as vozes dos servos de Deus se levantem contra essa excrescência que clama ao mais alto dos céus.
            A vós, comunistas bem intencionados, que desejam o bem da humanidade, levem a mão à consciência e ponderem se é realmente justo e necessário defender a descriminalização do aborto e abrir a porta para o massacre herodiano de milhões de vidas. Ponderem se isso é realmente heróico e emancipatório. Que percebam quanta contradição há entre a suposta defesa do proletário contra a exploração e avanço contra o nascituro indefeso. Saibam que um bebê no ventre de sua mãe é muito mais indefeso que um trabalhador, e tão importante quanto. Se desejam o bem da humanidade, saiam dessa demência e abandonem os partidos que apóiam essa causa sinistra. E doravante possa Deus vos converter totalmente à única e verdadeira doutrina, aquela revelada por Deus ao mundo através da Igreja Católica, a Igreja de Deus, a única verdadeira.
            Viva o nascituro!

5 comentários:

  1. Demetrius Valentino13 de novembro de 2011 13:42

    O almiscareiro é incessante. O odor de naftalina é contagiante. Um novo Nero ainda está por vir.

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  2. Temo ser o mais evidente vaticínio, nobre Demétrius... Um Nero que foge ao controle de si mesmo. Deveria ser internado, mas julgo que nem a medicina dá conta disso. Deve ser mesmo o diabo que turva a mente deste cristão novo!

    A julgar pelo raciocínio (em sendas por ti desconhecidas), de que "todo Zigoto é ser humano"... Deixa-me esclarecê-lo, ó, mente piromaníaca... Um zigoto nem sempre é um ser humano, posto que um zigoto no útero de uma marmota, tende a ser uma marmota. E digo tende, porque segundo o princípio da variabilidade garantida por mutações na reprodução sexuada, com trocas cromossômicas e crossing over, pode bem ocorrer de um zigoto de marmota já ter dado origem a nova espécie. Do contrário, a seleção natural não teria tido nunca novas espécies sobre as quais atuar...
    No entanto, creio que é pedir demais irmos para o território da genética ou mesmo do darwinismo, posto que doutrinários ignotos como tu não sabem ir mais fundo do que citações de versículos. E neste caso, a bíblia e a "inspiração divina" têm muito pouco a dizer sobre zoologia, posto o caso jocoso de morcego ser tratado na bíblia como ave e não como deveria sê-lo: um mamífero marsupial.
    Ainda neste caso, melhor ser marsupial que capial... E neste, melhor capial que defensor do capital... Bem, consegues reunir tudo isso na vossa espúria existência. Parabéns pela síntese do absurdo e por reunir o pior de tudo!

    Mas outro comentário: Se gostas tanto de raciocínios binários e de generalizações grosseiras e injustas, posso chamá-lo então de queimador de bruxas? Seria justo? Em teu raciocínio generalista de condenar o comunismo colocando nele um balaio de gatos, devo concluir também que todos vós sois pedófilos, genocidas e avessos à raciocínios complexos.
    No entanto, sei que queimadores de bruxas alguns de vós já não sois... vos limitando a serdes apenas queimadores de roscas hodiernamente.

    Ainda sobre balaio de gatos... Diria o velho Hegel, e depois dele Lenin, que no cair da noite, quando os olhos se tornam débeis, todas as vacas ou gatos parecem pardos... Eis o espantoso efeito da miopia intelectual... um caos indistinto na mentinha binárias de vocês.

    Mas congratula-te, senhor das fanfarronices eclesiásticas... Tens agora um seguidor e já dá para fundar teu séquito. A julgar pela Associação Cristo Rei, novamente o digo, o inferno parece um pouco mais aprazível...

    Se fossem um pouco inteligentes, veriam que o que afasta pessoas sérias do cristianismo ou da religião é justamente esta demonstração cabal de ignorância. Quanto mais tentam pregar este catecismo espúria pela forma (única forma que vocês sabem) de raciocínios medíocres, lógicas capengas, e uma clara demonstração de ignorância em quase todos os assuntos... é que retira-nos qualquer possibilidade de continuar ouvindo um crente para mais de 2 minutos...

    Acredite, Nerinho, és muito chulo e simplório. Teu instrumento bíblico é eivado de contradições incontornáveis (não a boa dialética)... Neste sentido, vocês têm muito em comum com Britney Spears, em se tratando de me convencer que canta bem e que tem uma ética insofismável.

    Ai... que medo!

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  3. Demetrius Valentino13 de novembro de 2011 20:18

    Exímio "Lobo da Estepe" e sua incisiva foice dialética; Não me surpreende iniciar a leitura sobre o fago-fátuo dessas postagens paleolíticas e, por antever a conclusão silogística arbitrária, se me impor, inexoravelmente, um elástico bocejo.

    Não sei o que deveras me assola, ou breu das trevas modernas ou a luz acinzentada das sombras. Luzes autóctones, que sejamos claros! Autóctones porque, no porão das idéias onde elas são acezas, o chacoalhar dos argumentos exsurge a poeira do idealismo colonial, e na acidentalidade do nevoeiro os ídolos se formatam com a idissincrasia dos medos, do absoluto hipostasiado do Eu lírico e romântico que não vê no momento da cadeia de signos dialeticamente ex-postos na história do desenvolvimento material do homem uma conexão ontológica, senão ocasião para a criatividade ideologizada da catequese teológica. A verve lírica, pseudo-demiúrgica, e desesperada, em diapasão de prosélitos, é psicotrópico e gelo-seco que torna gradativamente mais turva essa modernidade imersa em paradoxos.

    Exorto-te, Ó capucinho de Pico de la Mirandóla: ou saia da academia científica, proporcionando, desse modo, um mínimo de benevolência à ciência, ou perpeturará um desserviço para com o auto-conhecimento.

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  4. O título do "artigo" não poderia ser mais afinado com o conteúdo exposto.

    A demência de nossos dias... o "artigo" faz jus de cabo a rabo a este diagnóstico.

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