sexta-feira, 9 de agosto de 2013

A vida intelectual - introdução



A vida intelectual introdução

            As ideias que vêm a seguir e que visam dar um direcionamento cristão para a vida intelectual são provenientes de uma obra, de mesmo nome, do Padre Sertillanges. Nessa obra estão contidas as mais diversas diretrizes para levar a bom termo a carreira intelectual, tanto conselhos práticos metodológicos como princípios gerais. Pode parecer um pouco brusca a mudança de assuntos, mas é porque se trata de vários conselhos.

A vocação intelectual – Parte 1

            O intelectual é um consagrado, isto é, recebeu de Deus uma vocação que deve contribuir para o reinado de cristo. Sua missão é servir, amar, buscar e propagar a verdade. Para isso deverá ter muita disciplina e perseverança.
            Após um primeiro impulso, em tudo que fazemos, começamos a desanimar. É preciso vencer sempre esse desânimo se queremos chegar a algum lugar. O autor compara o intelectual a um atleta da inteligência, que deve prever as privações e possuir uma tenacidade por vezes sobre-humana.
            As forças e o tempo não devem ser dissipados. Deve-se estudar com ardor, aproveitar bem o tempo, e para isso se requer métodos e longa reflexão. O autor aponta que mesmo que sobrem apenas duas horas por dia, isso já é o bastante para conseguir grandes resultados na busca da verdade. Pois o tempo bem aproveitado é melhor que muitas horas de estudo mal feitas e dissipadas.

O intelectual não é um isolado

            O isolamento é uma prática inumana, pois é uma distorção do espírito de solidão. De fato, a solidão é necessária, mas o isolamento exagerado nos paralisa e esteriliza.
            Como todo membro do corpo de cristo, o intelectual deve haurir sua vida da caridade. Toda a verdade, até mesmo a mais abstrata, tem uma influência na vida prática. Assim o intelectual não deve esquecer que vive para os outros e deve ter sempre em mira a salvação dos homens.

As virtudes do intelectual – Parte 2

            O intelecto é apenas um instrumento, não nos pode fornecer os princípios dos quais partimos, apenas chegar a novas conclusões a partir desses princípios. Isso quer dizer que se nossos princípios éticos estiverem deturpados ou se estivermos entregues aos vícios, acabaremos por embotar a nossa inteligência e cairemos num poço tanto maior quanto mais enganados pelos vícios estivermos. A busca da verdade requer também a busca da santidade, sem o que a luz da inteligência se entenebrece.
            Disso se segue que há uma relação entre o nível de moralidade e a clareza da inteligência. Não pensamos apenas com o intelecto: pensamos com todo o nosso ser, nossas fraquezas e nossas qualidade deixam suas marcas em nossas ideias. Formamos uma unidade, portanto, não é de se espantar que os vícios morais atrapalhem e obscureçam a luz da razão; da mesma forma que as virtudes iluminam a inteligência.
            Podemos tomar como exemplo Marx. Quem negará sua inteligência e capacidade intelectual? Falava várias línguas, estudava 14 horas por dia. Mas como era sua vida moral? Sua vida moral é a grande explicação para todos os erros monstruosos que cometeu, sua mente confusa vinha dos vícios e do ódio que nele imperava.
            Erra quem pensa que o amor à verdade deva nos levar a deixar de lado nossos deveres mais básicos enquanto seres humanos. O intelectual, como qualquer outro homem tem deveres a cumprir. Cumprindo seus deveres e fazendo o bem, mesmo que às vezes isso signifique perda de tempo de estudo, estará concorrendo a bom modo para encontrar a verdade, pois o bem e a verdade são irmãos. Nesse sentido devemos ter em mente o que é mais importante e saber que o bem e a verdade são uma só e mesma coisa. Outra coisa que nunca seria demais alertar seria o perigo do orgulho, que mina qualquer tentativa de encontrar o bem.

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