sábado, 6 de janeiro de 2018

AS TEIAS DE ARANHA DA VIDA INTERIOR

            

            Não se deve temer os rótulos que o mundo moderno coloca naqueles que buscam a verdade ou tentam transmiti-la. Desse modo, não temo o rótulo de “machista” por ocasião das reflexões que desenvolverei neste texto.

            Há certos vídeos na internet que tentam passar como um evento extraordinário o fato de que mulheres, assim como os homens (isso é sempre realçado), também podem ser motoristas de caminhão, engenheiras, médicas, militares, azulejistas, serventes de pedreiro, etc. Há nisso um ataque sutil e muito difícil de ser captado à primeira vista. Um ataque dirigido a quê? Dirigido, sobretudo, a duas coisas: à maternidade (com o trabalho doméstico que a acompanha) e a uma época em que as mulheres supostamente não podiam se dedicar a outras atividades a não ser as domésticas. A maternidade não é mais vista como algo nobre, mas como um peso insuportável; a época em que as mulheres tinham a escolha de ficar em casa para educar seus filhos é vista como uma época de opressão. Segundo essa mentalidade houve uma evolução: hoje as mulheres não precisam mais devotar-se à maternidade, há inúmeras escolhas mais interessantes: podem trocar pneus de caminhão, assentar tijolos, projetar prédios, apagar incêndios, etc. Melhor ainda: podem ter filhos (desde que sejam no máximo dois) e mesmo assim trabalhar, para tanto basta deixar seu filho numa creche, sendo cuidado por desconhecidos que além dele se ocupam de mais algumas dezenas de crianças. "O feminismo trouxe a ideia confusa de que as mulheres são livres quando servem aos seus empregadores, mas são escravas quando ajudam seus maridos". (G.K Chesterton)

            Muitos insensatos vêem nisso tudo uma evolução, mas o fato é que o mundo moderno oprime as mulheres e as crianças: obrigam as mulheres a trabalhar fora do lar e privam as crianças dos cuidados maternos. É uma erosão medonha da estrutura familiar: o lar não possui mais quem a ele se dedique com todo o seu coração; as crianças (quando existem) são criadas por terceiros na maior parte do tempo e de modo péssimo; o pai não possui mais a legítima autoridade. E ainda ousam chamar isso de evolução!

            A expressão “do lar” embora técnica é belíssima. Indica tal devotamento que não pode deixar de comover. Esse título insigne indica, de certo modo, uma dedicação à casa, ao marido, aos filhos e acima de tudo a Deus. A dedicação da mulher a uma profissão que a tire do seu lar deveria ser algo raríssimo, no entanto sabemos das dificuldades financeiras que as famílias enfrentam. Tornou-se comum, principalmente entre os mais pobres, a necessidade de que a mulher trabalhe fora de casa, mas isso deveria ser algo para se lamentar e não para ser comemorado; deveria ser visto como uma opressão da mulher e não como uma “conquista”.

            Numa família poderíamos dizer de modo aproximativo que o homem está mais voltado para o exterior, enquanto a mulher está mais voltada para o interior. Tendo em vista que, como nos ensina a Santa Madre Igreja, a finalidade precípua da família é a procriação e a educação da prole, quem negará que a mulher assume aí um papel preponderante? A mulher gesta, amamenta e passa mais tempo com os filhos; tem, portanto, o dever de encaminhá-los ao Paraíso, e isso é infinitamente maior que pilotar aviões, projetar prédios e trocar pneus.

            Porém, como disse Bernanos: “Não se pode compreender nada da civilização moderna se não se admite previamente que constitui uma imensa conspiração contra toda espécie de vida interior” (muralhasdacidade.blogspot.com.br). Compreende-se então o porquê da guerra movida contra a vida “do lar”; compreende-se a desvalorização da maternidade e dos afazeres domésticos que a acompanham, pois o lar é um símbolo da vida interior, mais que isso: é um complemento e um auxílio para essa vida. Sim, o mundo moderno conspira contra a vida espiritual, estimula insanamente a dispersão, a distração; o mundo moderno aborda suas vítimas com mil solicitações para que não rezem, para que não olhem para o essencial, para que se distraiam. E então desgraçadamente o mundo moderno triunfa: o lar encontra-se abandonado, sem mãe, sem filhos, sem alma e sem coração. Para muitos nem mais existe; deu lugar a um espaço meramente físico destinado a abrigar um par de concubinos acompanhados de cães.

            O mundo exterior também está abandonado. Tem teias de aranha. E nessas teias estão as aranhas perversas do mundo moderno com suas falácias infernais.

            Que Deus dê força aos lares que resistem; que reestruture os que estão destruídos e que nos infunda a Graça de uma pujante vida espiritual. Salve Maria!